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Voluntariado
PORTA ABERTA PARA A HUMANIZAÇÃO SOCIAL

 

O Voluntariado – exigência de uma mudança de mentalidades

O voluntariado é cada vez mais útil e necessário, quer nas sociedades ricas, quer nas sociedades pobres, no mundo culto e desenvolvido como no mundao em vias de desenvolvimento. Onde houver carências a colmatar ou grandes causas culturais, ecológicas e humanitárias a defender, aí haverá lugar para exercer o voluntariado porque vem apelar à intensificação dos serviços solidários de generosidade, na entrega do nosso tempo e nossas vidas; vem interpelar as sociedades de consumo onde o "ter" e o "fazer" contam mais que o "ser" e o "dar-se"; vem, enfim, relevar quanto o voluntariado depende muito mais do coração de uma pessoa bem formada e sensível à dignidade humana, do que das determinações legais, por mais perfeitas que elas sejam.

 

O Voluntariado nasce de um coração generoso e por motivações profundas

O voluntariado nasce do coração humano e é um sinal de nobres valores ditados pelo sentido dum humanismo assente na dignidade humana; nasce de uma decisão livre e voluntária, apoiada em motivações e opções pessoais, as quais serão profundamente potenciadas pelos valores que cada voluntário veicula. A diferença entre voluntariado cristão e outras espécies de voluntariado reside sobretudo nas bases que motivam um e outros e não tanto nos objectivos que em grande parte coincidem.

 

Características do Voluntariado

  1. Enquadramento legal do Voluntariado:
    • O Estado Português procedeu, em 1999, ao enquadramento legal do voluntariado assente em quatro referências essenciais:
    • Participação organizada dos cidadãos;
    • Desenvolvimento de acções no âmbito de programas e projectos de entidades públicas e privadas;
    • Definição de Direitos e Deveres dos voluntários;
    • Compromisso livremente assumido entre organização promotora e o voluntário.
    • Mas a Lei que enquadra o voluntário não se reduz a um conjunto de direitos e de deveres. Pretende, antes, ser um instrumento que visa promover e consolidar um voluntariado sólido, qualificado e reconhecido socialmente.
    • No contexto legal, o voluntariado é
    • Um serviço gratuito e desinteressado que se desenvolve no âmbito da cidadania, por aqueles que conquistaram o exercício da autonomia individual, da participação social e da solidariedade para com os que precisam.
    • Mas nem toda a acção de bem-fazer é considerada voluntariado. Em sentido legal, voluntariado é um trabalho organizado em grupo, por instituições devidamente credenciadas, com objectivos e programação comuns, com distribuição de tarefas, sujeitas a avaliação, num clima de responsabilidade grupal e participativa.
  2. Quem é o Voluntário?
    • Voluntário é aquele que presta serviços não remunerados numa organização promotora, de forma livre, desinteressada e responsável, no seu tempo livre. Acima de tudo, o voluntário é alguém dotado de maturidade humana, afectiva e espiritual; mais disposto a dar do que a receber; capaz de estabelecer relações profundas com os outros, gozando de boa inserção no grupo e no meio ambiente. Mas, além das qualidades pessoais, requer-se também a conveniente formação. Só assim poderá ficar garantida a desejada e necessária competência.
    • b) Objectivos e atitudes do Voluntariado:
    • O objectivo fundamental dos voluntários é ajudar gratuita e livremente os indivíduos, as famílias ou os grupos, em cooperação com outros voluntários, sendo claro que a eficiência do seu serviço depende tanto das atitudes como da competência. Dentre as atitudes, saliente-se a disponibilidade que há-de ultrapassar o entusiasmo momentâneo e prolongar-se na responsabilidade assumida com alegria. Do voluntário, mais do que acções de solidariedade, espera-se que ele próprio seja solidário e goste de ajudar quem precisa, oferecendo com amor os seus conhecimentos e os seus préstimos aos que vivem mergulhados nos problemas e precisam de mão amiga que os ajude a sair deles e a ultrapassá-los.

 

Desafios e apelos

  1. Organização institucional e responsabilidade pessoal:
    • A boa organização continua a ser um desafio às instituições e às pessoas. Não se pode trabalhar em grupo, com um mínimo de eficiência, sem uma norma orientadora. E não basta a boa vontade de quem se oferece, nem um sistema de selecção bem estruturado. É a organização sem constrangimento que está na base do sucesso. Se pretendemos um voluntariado com poder de intervenção social, temos que começar por nos organizar, combatendo o excessivo informalismo reinante, evitando a confusão e duplicação de competências e promovendo as instâncias representativas intermédias e superiores. O bom funcionamento e a eficácia dos grupos depende tanto da cooperação e da complementaridade, suscitadas pelo sistema de coordenação, como da responsabilidade individual, assumida por cada um. Só é verdadeiramente voluntário quem é responsável.
  2. Formação estruturada:
    • A área de acção e o nível de intervenção de cada voluntário dependem, antes de mais, da formação previamente adquirida. Mas tendo em conta o evoluir das situações e o grau de competência que se exige a uma intervenção de qualidade, o voluntário deve estar sempre aberto a uma formação contínua, feita na acção, na partilha de experiências e no confronto permanente com os outros membros do grupo. Recomendamos aos responsáveis institucionais que, pondo de parte a formação avulsa, avancem para um tipo de formação estruturada.
  3. Cooperação em rede:
    • O autêntico voluntário tem a noção dos seus limites. Sabe que não pode resolver todos os problemas. Mas nem por isso deixa de estar aberto a todas as necessidades humanas. Se tem um coração universalista, está aberto à cooperação com todas as instituições, cujas parcerias se revelem eficazes na concretização dos objectivos programados. Pois, como é sabido, em muitos casos, o êxito dos projectos só pode ser assegurado por uma cooperação interdisciplinar. A criação de redes locais de voluntariado é, sem dúvida, mais um dos desafios que hoje se colocam sobretudo às instituições de solidariedade.

 

Voluntariado – um Compromisso

  • Ser voluntário consubstancia um encontro de vontades e uma responsabilização mútua. Como o trabalho voluntário não decorre de uma relação subordinada nem tem contrapartidas financeiras, o voluntariado expressa o exercício livre da cidadania e tem lugar no quadro de uma autonomia e pluralismo alicerçado no princípio da responsabilidade. Assim, o voluntário e a entidade promotora estabelecem um compromisso que expressa uma adesão livre, desinteressada e responsável do voluntário em realizar acções no âmbito de uma entidade promotora com um conteúdo, uma natureza e duração definidos, num quadro de direitos e deveres de ambas as partes. Este compromisso traduz os princípios do voluntariado que assentam na solidariedade, complementaridade, subsidiariedade, responsabilidade, convergência e gratuidade.